Procedimentos — Pleura

Toracocentese

Punção do espaço pleural diagnóstica e terapêutica — indicações, técnica com USG e complicações.

SítioAcima da costela
Limite terapêutico1.000–1.500 mL
Pneumotórax< 1% com USG

Punção do espaço pleural para remoção de líquido ou ar. Pode ser diagnóstica (coleta de amostra) ou terapêutica (alívio de derrame volumoso). USG obrigatório — reduz a taxa de pneumotórax de ~6% para < 1%.

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Indicações

Diagnóstica Derrame pleural de etiologia não esclarecida
Suspeita de empiema ou derrame exsudativo
Suspeita de malignidade pleural
Terapêutica Derrame volumoso causando dispneia ou hipoxemia
Alívio sintomático em derrames malignos recorrentes
Hemotórax de baixo volume sem indicação cirúrgica
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Contraindicações relativas

Puchalski J et al. Complications of thoracentesis: incidence, risk factors, and strategies for prevention. Curr Opin Pulm Med 2021. PMC8040091
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Material

USG com transdutor linear ou convexo Agulha 21–22G (diagnóstica) ou kit de toracocentese Seringa 20–60 mL Extensão para drenagem + coletor Lidocaína 1–2% + seringa 10 mL Campo estéril + luvas + clorexidina Frascos para análise (citológico, bioquímico, microbiológico)
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Técnica passo a passo

  1. 1Posicionar o paciente sentado na beira do leito, inclinado para frente com os braços apoiados numa mesa (posição de "cavalheiro"). Em pacientes que não sentam: decúbito lateral com o lado do derrame para baixo.
  2. 2USG antes de marcar o sítio. Identificar o diafragma, o fígado (direita) ou o baço (esquerda), e a extensão do derrame. O sítio ideal é onde o derrame tem ≥ 1,5–2 cm de profundidade, livre de vasos e pulmão visíveis.
  3. 3Marcar o sítio com o transdutor ainda no lugar. A punção é feita acima da borda superior da costela — o feixe vasculonervoso (artéria, veia, nervo) corre abaixo da costela. Prefira o espaço intercostal posterior entre 7° e 9° costelas, linha escapular posterior.
  4. 4Antissepsia ampla + campo estéril. Anestesia local com lidocaína 1%: infiltrar pele, subcutâneo e peritela costal. Aspirar ao avançar — quando retornar líquido, você está no espaço pleural. Anestesie generosamente a pleura parietal (ela dói).
  5. 5Inserir a agulha de toracocentese ou o cateter do kit, aspirando continuamente. Ao retornar líquido, conectar a extensão e o sistema de coleta.
  6. 6Terapêutica: limite de 1.000–1.500 mL por sessão. Parar antes se o paciente desenvolver tosse persistente, dor torácica ou sensação de aperto (sinais precoces de edema de reexpansão). Não há necessidade de limitar o volume se guiado por manometria pleural (pressão > −20 cmH₂O é sinal de parada).
  7. 7Retirar o cateter em expiração (ou apneia pós-expiratória) — reduz o risco de entrada de ar. Comprimir e curativo oclusivo.
  8. 8Rx de tórax pós-procedimento não é obrigatório de rotina se feito com USG e o paciente está assintomático. Realizar se dúvida de posição, tosse ou dor.
Feller-Kopman D et al. Thoracentesis - StatPearls. NCBI Bookshelf NBK441866. 2023. Havelock T et al. BTS Guideline for Pleural Disease. Thorax 78(Suppl 3):s1–s42, 2023. PMC11037506
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Complicações & pitfalls

Pneumotórax1–6% sem USG; < 1% com USG. Maioria assintomática. Se > 20% ou sintomático: dreno torácico.
Edema de reexpansãoRaro (< 1%). Mais comum ao drenar > 1.500 mL rapidamente. Apresenta-se com tosse, dispneia e hipoxemia minutos após o procedimento. Tratamento: O₂, diuréticos, suporte ventilatório se necessário.
HemotóraxLaceração de artéria intercostal. Evitado pela punção acima da costela e Doppler na USG para identificar vasos colaterais.
Laceração de fígado/baçoSítio muito baixo ou não visualização do diafragma. Sempre identificar o diafragma antes de puncionar.
Síncope vasovagalComum. Posicionar deitado se paciente com tônus vagal alto ou ansioso.
O que não fazer