Procedimentos — Pleura
Toracocentese
Punção do espaço pleural diagnóstica e terapêutica — indicações, técnica com USG e complicações.
Punção do espaço pleural para remoção de líquido ou ar. Pode ser diagnóstica (coleta de amostra) ou terapêutica (alívio de derrame volumoso). USG obrigatório — reduz a taxa de pneumotórax de ~6% para < 1%.
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Indicações
Diagnóstica
Derrame pleural de etiologia não esclarecida
Suspeita de empiema ou derrame exsudativo
Suspeita de malignidade pleural
Suspeita de empiema ou derrame exsudativo
Suspeita de malignidade pleural
Terapêutica
Derrame volumoso causando dispneia ou hipoxemia
Alívio sintomático em derrames malignos recorrentes
Hemotórax de baixo volume sem indicação cirúrgica
Alívio sintomático em derrames malignos recorrentes
Hemotórax de baixo volume sem indicação cirúrgica
02
Contraindicações relativas
- Coagulopatia grave não corrigida (INR > 2,0 ou plaquetas < 25.000) — mas evidência não suporta correção rotineira antes do procedimento
- Paciente em VM com PEEP elevada — risco aumentado de pneumotórax hipertensivo
- Derrame de pequeno volume (< 1 cm na USG) — não há espaço seguro para punção
- Infecção de pele na área de punção
03
Material
USG com transdutor linear ou convexo
Agulha 21–22G (diagnóstica) ou kit de toracocentese
Seringa 20–60 mL
Extensão para drenagem + coletor
Lidocaína 1–2% + seringa 10 mL
Campo estéril + luvas + clorexidina
Frascos para análise (citológico, bioquímico, microbiológico)
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Técnica passo a passo
- 1Posicionar o paciente sentado na beira do leito, inclinado para frente com os braços apoiados numa mesa (posição de "cavalheiro"). Em pacientes que não sentam: decúbito lateral com o lado do derrame para baixo.
- 2USG antes de marcar o sítio. Identificar o diafragma, o fígado (direita) ou o baço (esquerda), e a extensão do derrame. O sítio ideal é onde o derrame tem ≥ 1,5–2 cm de profundidade, livre de vasos e pulmão visíveis.
- 3Marcar o sítio com o transdutor ainda no lugar. A punção é feita acima da borda superior da costela — o feixe vasculonervoso (artéria, veia, nervo) corre abaixo da costela. Prefira o espaço intercostal posterior entre 7° e 9° costelas, linha escapular posterior.
- 4Antissepsia ampla + campo estéril. Anestesia local com lidocaína 1%: infiltrar pele, subcutâneo e peritela costal. Aspirar ao avançar — quando retornar líquido, você está no espaço pleural. Anestesie generosamente a pleura parietal (ela dói).
- 5Inserir a agulha de toracocentese ou o cateter do kit, aspirando continuamente. Ao retornar líquido, conectar a extensão e o sistema de coleta.
- 6Terapêutica: limite de 1.000–1.500 mL por sessão. Parar antes se o paciente desenvolver tosse persistente, dor torácica ou sensação de aperto (sinais precoces de edema de reexpansão). Não há necessidade de limitar o volume se guiado por manometria pleural (pressão > −20 cmH₂O é sinal de parada).
- 7Retirar o cateter em expiração (ou apneia pós-expiratória) — reduz o risco de entrada de ar. Comprimir e curativo oclusivo.
- 8Rx de tórax pós-procedimento não é obrigatório de rotina se feito com USG e o paciente está assintomático. Realizar se dúvida de posição, tosse ou dor.
05
Complicações & pitfalls
Pneumotórax1–6% sem USG; < 1% com USG. Maioria assintomática. Se > 20% ou sintomático: dreno torácico.
Edema de reexpansãoRaro (< 1%). Mais comum ao drenar > 1.500 mL rapidamente. Apresenta-se com tosse, dispneia e hipoxemia minutos após o procedimento. Tratamento: O₂, diuréticos, suporte ventilatório se necessário.
HemotóraxLaceração de artéria intercostal. Evitado pela punção acima da costela e Doppler na USG para identificar vasos colaterais.
Laceração de fígado/baçoSítio muito baixo ou não visualização do diafragma. Sempre identificar o diafragma antes de puncionar.
Síncope vasovagalComum. Posicionar deitado se paciente com tônus vagal alto ou ansioso.
O que não fazer
- Puncionar abaixo da costela → lacera artéria intercostal (corre na borda inferior)
- Não identificar o diafragma → punção abdominal
- Drenar > 1.500 mL sem manometria → edema de reexpansão
- Retirar cateter em inspiração → pneumotórax por sucção de ar