Perioperatório · Depois da sala

Manejo Perioperatório do Paciente Crítico

Coração, cérebro, glicemia e hemostasia nas primeiras horas depois da sala

Alvo glicêmico110–180 mg/dL
Gatilho transfusionalHb < 7 g/dL
Reiniciar iECA/BRAaté 48 h
A ideia central: o pós-operatório não inventa fisiologia nova. Ele soma três coisas ao paciente que entrou na sala — o insulto cirúrgico (dor, inflamação, perda volêmica, hipotermia), o resíduo anestésico (vasodilatação, depressão miocárdica, atelectasia) e a interrupção das drogas crônicas. Quase toda descompensação das primeiras horas cabe em uma dessas três caixas. A pergunta útil à beira do leito não é "qual droga eu começo", é qual das três está falando mais alto agora — porque a resposta não só muda a conduta, em alguns cenários ela a inverte.
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O que realmente estratifica risco

Exame de rotina em paciente assintomático não estratifica nada — gera falso-positivo, não muda manejo e atrasa a cirurgia. O que estratifica é ferramenta clínica. O Revised Cardiac Risk Index (RCRI) usa seis preditores, e a leitura correta é de contagem: cada um deles é um sistema que já estava comprometido antes de o bisturi encostar.

Cirurgia de alto riscoIntraperitoneal, intratorácica ou vascular
Doença isquêmicaHistória de doença arterial coronariana
Insuficiência cardíacaHistória de IC
Doença cerebrovascularAVC ou AIT prévio
Diabetes em insulinaUso de insulina, não diabetes em geral
Creatinina > 2 mg/dLDisfunção renal pré-existente

O mesmo raciocínio vale para o sangramento: TP e TTPA de rotina não preveem sangramento em paciente sem história prévia — o valor preditivo é baixo. Quem prevê é a anamnese estruturada, e a ferramenta é o ISTH-BAT (bleeding assessment tool da International Society on Thrombosis and Haemostasis). Escore positivo indica investigação adicional, não contraindica a cirurgia por si só.

PopulaçãoISTH-BAT positivoO que fazer
Mulheres adultas≥ 6Investigação adicional de coagulopatia
Homens adultos≥ 4Investigação adicional de coagulopatia
Crianças≥ 3Investigação adicional de coagulopatia
BNP e NT-proBNP não são exame de rotina Fazem sentido em três situações concretas: dispneia inexplicada, suspeita de insuficiência cardíaca ainda não caracterizada, e paciente coronariopata que vai para cirurgia de alto risco. Fora disso, o resultado costuma gerar mais conduta do que informação.
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Insuficiência cardíaca: o relógio antes, os fluidos depois

Paciente com IC tem risco de complicação e de readmissão maior do que o coronariopata sem IC — e o momento mais perigoso não é a sala, é o pós-operatório imediato, quando o volume infundido no intraoperatório começa a ser mobilizado de volta para o intravascular. É por isso que o edema pulmonar do primeiro dia costuma pegar quem estava estável na saída da sala.

CenárioAdiar a eletiva porCondição
IC de início recente≥ 3 mesesCom tratamento otimizado no intervalo
IC descompensada aguda≥ 1 mêsContado a partir da estabilização
A armadilha do balanço "zerado" O paciente com IC sai da sala com balanço que parece aceitável e descompensa horas depois, quando o líquido do terceiro espaço retorna. AINE piora isso — retém sódio e água e antagoniza o diurético. Em IC conhecida, analgesia multimodal sem AINE e reavaliação de volume a cada turno valem mais que qualquer alvo de balanço no papel.
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A hipotensão que inverte pela fração de ejeção

Este é o ponto em que o pós-operatório contraria o reflexo. Diante de insuficiência cardíaca aguda descompensada com choque, a conduta se inverte completamente conforme a fração de ejeção — e a inversão não é preferência de escola, é mecânica. Por isso o ecocardiograma vem antes da droga, não depois de ela não funcionar.

·Descompensação hemodinâmica no pós-operatório
Hipotensão, congestão ou os dois. Antes de escolher a droga, defina se há hipoperfusão e qual é a fração de ejeção. Eco à beira do leito imediato.
1Três cenários, três condutas opostas
A separação é entre perfusão adequada e choque; dentro do choque, entre FE reduzida e FE preservada.
Perfusão adequada + sobrecarga
congestão sem hipoperfusão
Nitroglicerina IV 5–10 mcg/min, titulando a cada 3–5 min (alvo 10–200 mcg/min) + diurético
Reduzir pós-carga e pré-carga com o paciente ainda perfundindo. Titulação curta porque a resposta é rápida.
Choque com FE reduzida
falência de bomba
Suspender betabloqueador crônico · iniciar inotrópico IV (dobutamina ou milrinona) ou suporte mecânico
Aqui a bomba não gera fluxo. Precisa de inotropismo e alívio de pós-carga.
Choque com FE preservada
obstrução de via de saída
Vasopressor IV (fenilefrina ou norepinefrina) + betabloqueador
É o oposto do quadro ao lado. Inotrópico e vasodilatador pioram a obstrução.
Por que inverte: na IC com fração de ejeção preservada, o ventrículo é pequeno, hipertrófico e hipercontrátil. Quando cai a pré-carga ou a resistência sistêmica — exatamente o que a anestesia faz — a cavidade se estreita ainda mais em sístole e a via de saída do ventrículo esquerdo obstrui dinamicamente. Dar inotrópico aumenta a força de contração e fecha mais a via; dar vasodilatador reduz a pós-carga e acelera o fluxo pela via estreitada. Os dois pioram o gradiente e derrubam o débito. O que resolve é o contrário: encher, desacelerar e apertar a periferia. Na FE reduzida, o ventrículo é grande e fraco — a mesma manobra tira o pouco fluxo que sobrava.
Não dê inotrópico nem vasodilatador sem afastar obstrução com eco imediato Em choque com FE preservada, essa é a decisão que mata. Se o eco não estiver disponível naquele momento, trate como obstrutivo até prova em contrário: volume, controle de frequência e vasopressor — não dobutamina.
Estenose aórtica severa: risco extremo, e a fisiologia é fixa A obstrução é anatômica e não se adapta. Quando a anestesia derruba a resistência vascular sistêmica, o débito não consegue subir para compensar, e o resultado é isquemia miocárdica fatal. A conduta é manter a pré-carga estritamente, evitar taquicardia (o enchimento depende da diástole) e usar vasopressor em dose baixa e precocemente — norepinefrina ou epinefrina — em vez de esperar a hipotensão se instalar.
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Pressão alta, betabloqueador e o que nunca começar agora

Crise hipertensiva no pós-operatório imediato (sistólica > 180 mmHg) tem quase sempre uma causa reversível atrás dela. Excluir dor, hipóxia e bexigoma vem antes de qualquer droga — sondar uma bexiga distendida resolve mais pressão que um anti-hipertensivo. Se a pressão persiste, use agente intravenoso titulável e de curta ação: labetalol ou nicardipino.

Droga crônicaConduta perioperatóriaPor quê
Betabloqueador de uso crônicoManterSuspender expõe a rebote adrenérgico
Betabloqueador novo no pré-opNunca iniciarAumento significativo de mortalidade e AVC
ClonidinaNão suspender por descuidoSíndrome de abstinência grave
iECA / BRASuspensão individualizada · reiniciar em até 48 hHipotensão profunda sob anestesia, mas atraso em reiniciar aumenta mortalidade em 30 dias

Se for necessário betabloqueio no intraoperatório, prefira agentes cardiosseletivos — esmolol ou labetalol. Os não cardiosseletivos aumentam o risco, e o metoprolol especificamente foi associado a aumento de AVC isquêmico no estudo POISE. É essa a origem da regra de nunca iniciar betabloqueador agudamente antes da cirurgia: o ganho em evento coronariano foi pago com AVC e morte.

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AVC perioperatório: o despertar que não volta

A mortalidade é alta e o diagnóstico é o problema. Na sala de recuperação ou na UTI, o déficit é confundido com delirium hipoativo ou resíduo anestésico — e a janela terapêutica passa enquanto se espera "a droga sair". Em paciente de risco, o déficit focal no despertar é AVC até prova em contrário.

Antes
≥ 3 meses
Adiamento mínimo da cirurgia eletiva após AVC isquêmico recente — idealmente 9 a 12 meses. Pressão arterial perioperatória mantida dentro de 20% da basal do paciente.
No despertar
FAAST
Face, Arm, Anesthesia, Speech, Time. Aplicar ativamente, não esperar o quadro se declarar — o "Anesthesia" existe justamente para lembrar do confundidor.
Se confirmar
Até 24 h
Trombectomia mecânica para oclusão de grande vaso, priorizada no pós-operatório porque a trombólise costuma estar vetada. A janela só chega a 24 h com seleção por imagem — DEFUSE 3 validou de 6 a 16 h por perfusão, DAWN estendeu até 24 h nos casos com mismatch entre déficit clínico e infarto já estabelecido. Sem o exame que mostra tecido salvável, o relógio volta a ser o das 6 h.
Alteplase depois de cirurgia recente Neurocirurgia ou cirurgia espinhal nos últimos 14 dias é contraindicação absoluta à trombólise venosa. Cirurgia geral de grande porte nos últimos 14 dias é contraindicação relativa de alto peso. Na prática, o caminho do paciente pós-operatório com oclusão de grande vaso é a trombectomia — e quem precisa saber disso no meio da noite é o intensivista, não o neurologista que ainda não foi chamado.
A janela abre a porta — quem indica é a neuro Estar dentro do tempo é condição necessária, não suficiente. A indicação depende de critérios que se conferem caso a caso com a neurologia e a neurointervenção: o vaso ocluído ser elegível, o déficit clínico ser desproporcional ao infarto já estabelecido na imagem, o estado funcional prévio e a última vez em que o paciente foi visto bem. O papel do intensivista aqui não é indicar — é reconhecer cedo, pedir a imagem certa e não deixar a janela fechar enquanto o time é chamado.
ALBERS GW et al. Thrombectomy for Stroke at 6 to 16 Hours with Selection by Perfusion Imaging (DEFUSE 3). N Engl J Med 378:708, 2018. NOGUEIRA RG et al. Thrombectomy 6 to 24 Hours after Stroke with a Mismatch between Deficit and Infarct (DAWN). N Engl J Med 378:11, 2018.
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Glicemia e as drogas crônicas no jejum

O alvo glicêmico perioperatório e na UTI é 110 a 180 mg/dL. Abaixo disso o risco de hipoglicemia em paciente sedado — que não avisa — supera o ganho; acima, sobe infecção de sítio cirúrgico e disfunção de cicatrização. O ajuste das drogas crônicas segue a mesma lógica: o jejum é o que muda tudo.

DrogaAjusteMotivo
Gliflozinas (canagliflozina, dapagliflozina, empagliflozina)Suspender 3–4 dias antesCetoacidose diabética euglicêmica — o jejum cirúrgico aumenta o risco exponencialmente
Bomba de insulinaManter ou reduzir 10–25%Reduzir se houver risco de hipoglicemia
NPHReduzir 50% na manhãCobertura basal sem aporte de carboidrato
Glargina e análogos de ação longaReduzir 20–25% na vésperaMeia-vida longa: o ajuste precisa anteceder o jejum
Cetoacidose euglicêmica é a armadilha que passa batida O paciente em gliflozina abre acidose metabólica com ânion-gap alargado e glicemia normal ou pouco elevada. Se você usa a glicemia como gatilho para pensar em cetoacidose, não vai pensar. Em pós-operatório com acidose inexplicada, pergunte pela gliflozina e dose cetonemia.
ClasseCondutaO que vigiar
AnticonvulsivantesManter sem interrupçãoVia alternativa se o jejum se prolongar
LítioManter, com monitorização rigorosaJanela terapêutica estreita; jejum e flutuação de fluidos causam intoxicação aguda. Causa diabetes insipidus nefrogênica em até 20% — vigiar sódio e hidratação
IMAOManter com cautela e comunicar a equipeCrise hipertensiva e colapso se interagir com efedrina, meperidina, tramadol ou dextrometorfano
ISRSHabitualmente manterAumento leve do risco de sangramento, compensado por evitar síndrome de descontinuação
NaltrexonaDescontinuar antes da cirurgiaAntagoniza o receptor mu e bloqueia a analgesia com opioide. Se mantida, exige analgesia multimodal intensa ou agente de altíssima afinidade (fentanil, hidromorfona)
Fitoterápicos (alho, ginkgo, ginseng)Suspender 1 semana antesAumentam o risco de sangramento
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Sangue: transfundir menos, aquecer mais

A conduta transfusional é restritiva. Transfunde-se em geral com hemoglobina < 7 g/dL, ou < 8 g/dL na vigência de isquemia cardíaca aguda — uma unidade de cada vez, reavaliando paciente e hemoglobina logo depois. Transfusão em dois concentrados por reflexo é o hábito que a estratégia restritiva veio desfazer.

Antes da cirurgia eletiva
2 a 4 semanas
Antecedência para tratar a anemia identificada no pré-operatório com ferro — intravenoso se necessário — ou eritropoetina. Anemia diagnosticada na véspera não dá tempo de nada além de transfundir.
Perda esperada > 1000 mL
TXA + cell salvage
Ácido tranexâmico e recuperação sanguínea intraoperatória são as duas medidas que reduzem exposição a hemocomponente sem custo hemodinâmico.
Por que aquecer conta como hemostasia: temperatura central abaixo de 36 °C produz disfunção plaquetária reversível e lentifica as enzimas da cascata de coagulação. O coagulograma volta normal — ele é dosado a 37 °C no laboratório, não na temperatura do paciente. Manter normotermia reduz a perda sanguínea de forma significativa, e é a intervenção mais barata da lista.
BALKI I et al. Effect of perioperative active body surface warming systems on analgesic and clinical outcomes: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Anesth Analg 131(5):1430–1443, 2020.
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Anticoagulação: suspender, quase nunca pontear, reverter

A ponte com heparina de baixo peso molecular ao suspender o anticoagulante é contraindicada na maioria dos pacientes: aumenta sangramento maior sem reduzir tromboembolismo. Ela sobreviveu como hábito porque parece intuitiva — e é justamente o tipo de conduta que o ensaio clínico desmontou.

SituaçãoPonte com HBPMDetalhe
Varfarina, risco trombótico baixo ou moderadoNãoSó aumenta sangramento
Varfarina, altíssimo risco trombóticoSugeridaCHADS2 5 ou 6 · TEV nos últimos 3 meses · prótese mecânica mitral ou aórtica de disco engaiolado
DOAC (apixabana, rivaroxabana, dabigatrana)NuncaSuspensão programada substitui a ponte
DOUKETIS JD et al. Perioperative Bridging Anticoagulation in Patients with Atrial Fibrillation (BRIDGE). N Engl J Med 373:823, 2015.
Risco de sangramento do procedimentoSuspender o DOAC
Baixo a moderado1 a 2 dias antes
Alto2 a 4 dias antes

O intervalo também varia com a função renal — quanto pior o clearance, mais longa a suspensão necessária, sobretudo para dabigatrana.

AnticoagulanteReversão em sangramento catastrófico
VarfarinaComplexo protrombínico de 4 fatores (4F-PCC) + vitamina K
DabigatranaIdarucizumabe 5 g IV
Inibidores do fator Xa (apixabana, rivaroxabana)4F-PCC off-label 25 a 50 U/kg
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Profilaxia de tromboembolismo venoso

O paciente cirúrgico crítico acumula os três vértices de Virchow ao mesmo tempo: estase pela imobilidade, lesão endotelial pelo trauma cirúrgico e hipercoagulabilidade pela resposta inflamatória. A profilaxia não é opcional — o que se discute é qual agente, por quanto tempo e quando começar.

CenárioProfilaxiaDuração / observação
Ortopédica maior (quadril, joelho) — risco basal de 4–5% de TEV sintomáticoHBPM ou DOAC — entre os DOACs, rivaroxabana ou apixabana preferidas sobre dabigatrana e edoxabana10–14 dias, até 35 dias (sobretudo quadril)
Não ortopédica, baixo riscoCompressão pneumática intermitenteEstratificar pelo escore de Caprini
Não ortopédica, risco moderado a altoFarmacológica, preferencialmente HBPMHBPM + CPI nos riscos muito acentuados, como grandes cirurgias oncológicas
Neurocirurgia / alto risco de sangramentoApenas mecânica (CPI) no inícioIniciar o agente farmacológico em 48–72 h, quando o risco do sítio cair
ClCr < 30 mL/min, insuficiência renal grave ou diáliseHNF subcutânea 5.000 UI 12/12 hNão depende de depuração renal — a HBPM se acumula à medida que a filtração cai
ANDERSON DR et al. Aspirin or Rivaroxaban for VTE Prophylaxis after Hip or Knee Arthroplasty. N Engl J Med 378:699, 2018.
Filtro de veia cava profilático não é recomendado Não há cenário em que a colocação profilática de filtro de VCI esteja indicada de rotina para prevenir TEV pós-operatório. Filtro é conduta para quem já tem trombose e não pode ser anticoagulado — não é uma alternativa à profilaxia.
O que não fazer
Confirme no protocolo do seu serviço Doses, alvos e intervalos desta página são material de apoio para consulta rápida à beira do leito. Antes de aplicar, confira contra o protocolo institucional, a bula e as condições do paciente. Esta página não substitui julgamento clínico nem a rotina do seu serviço.
ALBERS GW et al. Thrombectomy for Stroke at 6 to 16 Hours with Selection by Perfusion Imaging. N Engl J Med 378:708, 2018. ANDERSON DR et al. Aspirin or Rivaroxaban for VTE Prophylaxis after Hip or Knee Arthroplasty. N Engl J Med 378:699, 2018. BALKI I et al. Effect of perioperative active body surface warming systems on analgesic and clinical outcomes. Anesth Analg 131(5):1430–1443, 2020. DOUKETIS JD et al. Perioperative Bridging Anticoagulation in Patients with Atrial Fibrillation. N Engl J Med 373:823, 2015. NOGUEIRA RG et al. Thrombectomy 6 to 24 Hours after Stroke with a Mismatch between Deficit and Infarct (DAWN). N Engl J Med 378:11, 2018.