Hemodinâmica · Padrões de choque

Padrões Hemodinâmicos

Tabelas de referência por tipo de choque

Baixo fluxoHipo · Cardio · Obstrutivo
PP normal40–60 mmHg
Preditor dinâmicoPLR + VTI
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Os 4 tipos de choque — perfil completo

TipoDC / ICRVSPVCPoAPPAPSvO₂Exemplo
HipovolêmicoBaixoAltaBaixaBaixaNormalBaixaHemorragia, desidratação, queimadura
DistributivoAltoBaixaBaixa/normalBaixa/normalNormalAlta (falsa)Sepse, anafilaxia, neurogênico
CardiogênicoBaixoAltaAltaAltaAltaBaixaIAM, miocardite, arritmia
TEP / obstrutivo VDBaixoAltaAltaNormal/baixaAltaBaixaTEP maciço (sobrecarga de VD)
TamponamentoBaixoAltaAltaAlta (equalizada)Alta (equalizada)BaixaTamponamento pericárdico, pneumotórax hipertensivo

DC = débito cardíaco · IC = índice cardíaco · RVS = resistência vascular sistêmica · PVC = pressão venosa central · PoAP = pressão de oclusão da artéria pulmonar (wedge / PAOP) · PAP = pressão da artéria pulmonar. Em amarelo = achado-chave que define o padrão.

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Diagnóstico rápido pelo padrão

Achado-chave+ Outros parâmetrosDiagnóstico
PoAP altaPAP normal ou alta · PVC altaCardiogênico
PoAP normal/baixaPAP alta · VD dilatadoTEP / obstrutivo de VD
PoAP e PAP equalizadas e altasPVC alta · derrame pericárdicoTamponamento
PoAP baixaDC baixo · PVC baixa · RVS altaHipovolêmico
DC altoRVS baixa · PP alargadaDistributivo
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Classificação por fluxo

Eixo complementar à classificação anatômica. Define rapidamente a abordagem inicial: distributivo é o único choque de alto fluxo; todos os outros são de baixo fluxo.

Alto fluxo (DC alto)Distributivo (sepse, anafilaxia, neurogênico, insuficiência hepática avançada). RVS muito baixa, PP alargada, pele quente. Vasopressor é a 1ª intervenção; volume guiado por dinâmicos.
Baixo fluxo (DC baixo)Hipovolêmico, cardiogênico, obstrutivo. RVS compensatoriamente elevada, PP estreita, pele fria. Tratamento varia: volume (hipovolêmico), inotrópico (cardiogênico) ou tratar a causa (obstrutivo).
Atenção a sobreposições: sepse pode ter componente de baixo fluxo (cardiomiopatia séptica) — DC normal ou baixo apesar de RVS reduzida. Cardiogênico pode evoluir com vasoplegia secundária. Reavaliar o padrão com POCUS sempre que a clínica não bate com o esperado.
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PoAP e PAP — interpretação prática

Medidas obtidas pelo cateter de Swan-Ganz. Pouco usadas hoje (POCUS substitui na maioria dos casos), mas caem em prova e ainda são úteis em centros de transplante e cirurgia cardíaca.

MedidaO que refleteValor normalAlterações
PoAP (wedge / PAOP)Pressão no átrio esquerdo — pré-carga do VE6–12 mmHg↑ em IC esquerda, estenose mitral, sobrecarga de volume · ↓ em hipovolemia
PAP sistólicaPressão sistólica na artéria pulmonar15–30 mmHg↑ em hipertensão pulmonar, TEP, IC esquerda crônica
PAP diastólicaPressão diastólica na artéria pulmonar4–12 mmHgAproxima-se da PoAP em ausência de doença pulmonar
PAP médiaMédia da pressão pulmonar9–18 mmHgHP se > 25 mmHg em repouso (definição clássica)
PoAP alta + PAP altaHP pós-capilar — a causa é o coração esquerdo. Tratar IC esquerda.
PoAP normal + PAP altaHP pré-capilar — TEP, HAP idiopática, doença pulmonar. Tratar a causa pulmonar.
Por que ainda importa: mesmo sem Swan-Ganz, o conceito ajuda a interpretar o eco point-of-care: VD dilatado com septo paradoxal sugere PAP alta; AE dilatado e linhas B sugerem PoAP alta.
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Pressão de pulso — o que revela

PP=PASPAD

Normal: 40–60 mmHg. Reflete indiretamente o volume sistólico e a complacência aórtica.

Pressão de pulsoInterpretaçãoPensar em
Estreita < 25 mmHgBaixo volume sistólicoHipovolemia, tamponamento, cardiogênico — pode responder a volume
Normal 40–60 mmHgVolume sistólico preservadoDistributivo (sepse, vasoplegia)
Alargada > 60 mmHgBaixa resistência periféricaVasoplegia, insuficiência aórtica, circulação hiperdinâmica
Pressão diastólica baixa com PP alargada sugere vasoplegia — resistência vascular diminuída. Vasopressor em vez de volume.
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Variação de Pressão de Pulso (VPP)

PPmax − PPmin(PPmax + PPmin) / 2×100
Válido: VM controlada · Vt ≥ 8 mL/kg · Ritmo sinusal
VPPInterpretação
< 9%Não responsivo a volume
9–13%Zona cinzenta — considerar fluid challenge
> 13%Responsivo a volume — repor com segurança
Limitações da VPP Inválida ou pouco confiável em:
  • Ventilação espontânea ou assistida
  • FA / arritmias
  • Vt < 8 mL/kg
  • Hipertensão abdominal
  • Disfunção grave de VD
Nessas situações, preferir PLR com medida de VTI.
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PLR + VTI — avaliação funcional universal

  1. 1Posição inicial. Paciente em decúbito dorsal com cabeceira a 45°. Medir VTI subvalvar aórtico (VSVE) pelo Doppler pulsado no eco point-of-care.
  2. 2Manobra PLR. Deitar completamente e elevar os MMII a 45° por 60–90 s. Mobiliza 300–500 mL de sangue venoso para o tórax — equivale a um bolus passivo e reversível.
  3. 3Medir VTI após PLR. Repetir a medida do VTI subvalvar. Aumento ≥ 12–15% prediz responsividade a volume com alta sensibilidade e especificidade.
  4. 4Retornar à posição inicial. O efeito é totalmente reversível — sem risco de sobrecarga hídrica. Válido em ventilação espontânea, mecânica, arritmias e DPOC.
O PLR com VTI é o preditor de responsividade a volume mais robusto disponível à beira do leito — recomendado pelo SSC 2026 como método dinâmico preferencial.
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Cardiogênico vs obstrutivo

Ambos têm DC baixo, RVS alta e PVC alta — o POCUS diferencia:

Achado POCUSCardiogênicoObstrutivo
Função VEReduzidaNormal ou hiperdinâmica
VCIDilatada, pouco colapsávelDilatada, pouco colapsável
PericárdioSem derrame (em geral)Derrame em tamponamento
PulmãoLinhas B difusas (congestão)Linhas A (TEP) ou ausência de deslizamento (pneumotórax)
VDPode dilatar em IAM de VDDilatado em TEP maciço (D paradoxal)